Carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração
Nunca estou sem ele
Onde quer que vá, você vai comigo
E o que quer que faça
Eu faço por você
Não temo meu destino
Você é meu destino, meu doce
Eu não quero o mundo por mais belo que seja
Você é meu mundo, minha verdade
Eis o grande segredo que ninguém sabe
Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto
E o céu do céu
De uma árvore chamada vida
Ou a mente pode esconder
E esse é o prodígio
Que mantém as estrelas à distância
Eu carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração.
(Poema de E.E. Cummings)
Do livro e filme EM SEU LUGAR de Jennifer Weiner
Doidas e santas - Martha Medeiros;
de uma palestra, terça à noite, CCBB, Cássia Kiss lia crônicas)
Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa.
" São versos de Adélia Prado, retirados do poema "A serenata".
Ele narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo ou mais tarde um homem virá arrebatá-la,
logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão
– não sabe como receber um novo amor não dispondo mais de juventude.
E encerra: "De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?"
Adélia é uma poeta danada de boa.
E perspicaz.
Como pode uma mulher buscar uma definição exata para si mesma estando em plena meia-idade,
depois de já ter trilhado uma longa estrada,
onde encontrou alegrias e desilusões, e tendo ainda mais estrada pela frente?
Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões
– e a gente sabe como as desilusões devastam - ,
terá que ser meio doida.
Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção.
Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?
Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa.
Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe???
Nem ela caríssimos, nem ela.
Existe mulher cansada, que é outra coisa.
Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou.
Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade.
Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres.
Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.
Santa, mesmo, só Nossa Senhora, mas, cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou?
(Não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do.)
Toda mulher é doida. Impossível não ser.
A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor,
a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar the big one,
aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais.
Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo?
Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas,
ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca,
pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp,
ou então virar louca e cafetina, ou sei lá, diga aí uma fantasia secreta,
sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca.
Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações:
exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante.
Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham.
Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota.
Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora.
E santa, fica combinado, não existe.
Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada?
Você vai concordar comigo: só se for louca de pedra.
A SERENATA
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Dolores
Hoje me deu tristeza,
sofri três tipos de medo
acrescidos do fato irreversível:
não sou mais jovem.
Discuti política, feminismo,
a pertinência da reforma penal,
mas ao fim dos assuntos
tirava do bolso meu caquinho de espelho
e enchia os olhos de lágrimas:
não sou mais jovem.
As ciências não me deram socorro,
nem tenho por definitivo consolo
o respeito dos moços.
Fui no Livro Sagrado
buscar perdão pra minha carne soberba
e lá estava escrito:
"Foi pela fé que também Sara, apesar da idade avançada,
se tornou capaz de ter uma descendência..."
Se alguém me fixasse, insisti ainda,
num quadro, numa poesia...
e fossem objeto de beleza os meus músculos frouxos...
Mas não quero. Exijo a sorte comum das mulheres nos tanques,
das que jamais verão seu nome impresso e no entanto
sustentam os pilares do mundo, porque mesmo viúvas dignas não recusam casamento, antes acham o sexo agradável, condição para a normal alegria de amarrar uma tira no cabelo
e varrer a casa de manhã.
Uma tal esperança eu imploro a Deus.
Adélia Prado
(Os poemas da Adélia foram-me enviados pela amiga Pará)
Especial é...
Nada é mais especial do que o exercício pleno do amor, do que a vivência diária desse sentimento natural em todas as suas múltiplas formas e cada manifestação mesmo que tímida desse sentimento maior, traduz a verdadeira essência da vida: amar! Então viva todos os seus amores de uma forma especial, porque especial é...
Saber que você esta sempre por perto.
Especial é...
Perceber seu olhar cúmplice do meu.
Especial é...
Caminhar ao seu lado tendo as mãos entrelaçadas.
Especial é...
Me contagiar com a sua gargalhada.
Especial é...
O melhor de cada um de nós.
Especial é...
Concluir que só vale a pena com você.
Especial é...
Ter a vontade adivinhada.
Especial é...
A primeira mordida da fruta amadurecida.
Especial é...
Sentir o seu perfume depois do amor.
Especial é...
O calor do seu corpo colado no meu.
Especial é...
Contemplar sua imagem e sentir o desejo.
Especial é...
Calar sua voz ao sabor de um beijo.
Especial é...
Voltar depois da briga com o amor renovado.
Especial é...
Receber um forte abraço inesperado.
Especial é...
Me sentir livre para estar preso a você.
Especial é...
Prover de afeto a nossa rotina.
Especial é...
Ser presenteado com a sua alegria.
Especial é...
Fazer bonito o amor de cada dia.
Especial é...
Entender as diferenças.
Especial é...
Plantar a amizade em terra fértil.
Especial é...
Descobrir que a felicidade e um dom natural.
Especial é...
Saber que pra você eu sou muito, muito especial.
Texto de Ira Buscachio
DESEJO
Victor Hugo Desejo, primeiro, que você ame,e que, amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer e, esquecendo não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que você tenha amigos
que, mesmo maus e inconseqüentes,
sejam corajosos e fiéis,e que pelo menos em um deles
você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,desejo ainda que você tenha inimigos,
nem muitos, nem poucos,
mas na medida exata para que, algumas vezes,você se interpele a respeito
de suas próprias certezas.
E que, entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo, depois, que você seja útil,mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,quando não restar mais nada,
essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso dessa tolerância,você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,não amadureça depressa demais,
e que, sendo maduro, não insista em rejuvenescer,
e que, sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste.
não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,com a máxima urgência,
acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos,
injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
alimente um cuco e ouça o joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal,
porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
por mais minúscula que seja,e acompanhe o seu crescimento,
para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele
na sua frente e diga "isso é meu",
só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
por ele e por você, mas que se morrer, você possa chorar
sem se lamentar, sofrer e sem se culpar.
Desejo por fim que você, sendo um homem,
tenha uma boa mulher,e que, sendo uma mulher,tenha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte,e quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.E se tudo isso acontecer,não tenho mais a te desejar.
"Dançar é minha prece mais pura
Momento em que o meu corpo vislumbra o divino,
Em que os meus sentimentos tocam o real
Religiosidade despida de exageros,
Desejo lascivo, bordado de plenitude
Através de meus movimentos posso chegar ao inatingível
Posso sentir por todos os corpos, abraçar com todo o coração,
E amar com os olhos
Cada gesto significativo desenha no espaço o infinito,
Pairando no ar, compreensão e admiração
Iniciar uma prece é como abrir uma porta
Um convite para você, para entrar no meu universo
O mágico contorna minha silhueta, ao mesmo tempo
Que lhe toco sem tocar
Nada a observar, só a participar
Esta prece ausente de palavras
É codificada pela alma
E faz-nos interagir, de maneira sublime e hipnótica
Quando eu terminar essa dança,
Estarei certa de que não seremos os mesmos."
(Merit Aton)
Poema !!!
Queria compartilhar contigo os momentos mais simples
e sem importância.
Por exemplo:
sair contigo para passear, sentir-te apoiado em meu braço,
ver-te feliz ao meu lado alheio a todo mundo que passasse.
Gostaria de sair contigo para ouvir música, ir ao cinema,
tomar sorvete, sentar num restaurante diante do mar,
olhar as coisas, olhar a vida, olhar o mundo despreocupadamente,
e conversar sobre "nós" – esse "nós" clandestino
que se divide em "tu e eu" quando chega gente.
Encontrar alguém que perguntasse: "Então, como vão vocês?"
E me chamasse pelo nome, e te chamasse pelo nome
e juntasse assim nossos nomes, naturalmente, na mesma preocupação.
Gostaria de poder de repente te dizer:
Vamos voltar pra casa...
(Como se felicidade pudesse ser uma coisa a que tivéssemos direito como toda gente)
Queria partilhar contigo os momentos menores
da minha vida, porque os grandes já são teus.
(Poema de JG de Araujo Jorge do livro – A Sós – 1958 )
SENHORA DE MIM MESMA - Martha Wolff
Não quero que a casa me governe, mas quero governar minha casa.
Não quero a eficiência do detergente, mas as borbulhas de cores.
Não quero pisos brilhantes, quero uma pele resplandecente.
Não quero porcelanas e marfins, quero carícias suaves.
Não quero os luxos orientais, quero as mil e uma noites.
Não quero quadros valiosos, quero retratos em minha alma.
Não quero cozinhas sofisticadas, quero poros temperados.
Não quero um dormitório Luiz XV, quero um autêntico leito matrimonial.
Não quero móveis de categoria, quero a criatividade e a sabedoria.
Não quero as plantas artificiais, quero as flores a cada dia.
Não quero lençóis bordados, eu os quero ornados apaixonadamente.
Não quero os chinelos ao pé da minha cama, quero os pés descalços na alvorada.
Não quero vestidos para andar dentro de casa, quero a segurança do nu.
Não quero bobies ao me deitar, mas sim sonhos cacheados.
Não quero cremes rejuvenescedores, mas rugas de emoção.
Não quero sexo por compromisso, quero motivações sensuais.
Não quero varizes, quero artérias aceleradas.
Não quero beijos frios, quero lábios excitantes.
Não quero tapetes maravilhosos, mas cenas de pôr-do-sol.
Não quero cortinas isoladoras, quero a transparência em minhas janelas.
Não quero pássaros enjaulados, quero filhos em liberdade.
Não quero a fidelidade de um cão, quero a intuição de um homem.
Não quero jóias valiosas, quero alianças indestrutíveis.
Não quero estar sempre em público, quero sim, a intimidade de um banho.
Não quero religiões místicas, mas o poder adorar.
Não quero saltos altos, quero elevar-me.
Não quero máscaras nas paredes, quero os meus diferentes personagens.
Não quero palavras ocultas, quero diálogos refrescantes.
Não quero ser "senhora" e sim "senhora de"
"Senhora de mim mesma"




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